Nos últimos dias, o incêndio florestal de La Vall d’Uixó tem mantido milhares de pessoas em alerta. Ontem, durante o quinto dia do incêndio, um dos termos mais repetidos pelas equipas de emergência e pelos meios de comunicação foi INVERSÃO TÉRMICA, um fenómeno praticamente desconhecido para quem não está familiarizado com a meteorologia, e que pode ter uma influência decisiva na evolução de um incêndio.

O que é uma inversão térmica?

Em condições normais, a temperatura do ar diminui à medida que a altitude aumenta. No entanto, durante uma inversão térmica ocorre exatamente o contrário: uma camada de ar quente situa-se sobre outra mais fria, atuando como uma barreira que impede a circulação vertical do ar.

Como consequência, o fumo, o calor e outros poluentes permanecem retidos perto do solo até que as condições atmosféricas mudem.

Como é que a inversão térmica afeta um incêndio florestal?

Embora uma inversão térmica não inicie um incêndio, pode modificar significativamente o seu comportamento. Entre os seus principais efeitos destacam-se:

  • Mantém o fumo concentrado a baixa altitude, reduzindo a visibilidade.
  • Dificulta o trabalho dos meios terrestres e aéreos.
  • Favorece a acumulação de calor perto do terreno.
  • Quando a inversão desaparece, o ar volta a mover-se e o incêndio pode sofrer reativações ou mudanças bruscas no seu comportamento.


Foi precisamente este fenómeno que contribuiu para que, durante o dia de ontem, ocorressem vários reacendimentos no incêndio de La Vall d’Uixó, obrigando as equipas de extinção a manter a máxima vigilância.

Tem relação com as trovoadas?

Sim, embora de forma indireta. Uma inversão térmica não produz raios nem faz com que uma tempestade tenha mais descargas elétricas por si só. No entanto, atua como uma espécie de “tampa” que impede a subida do ar quente. Enquanto essa barreira permanece estável, o desenvolvimento de tempestades pode ser travado. Quando finalmente essa camada se rompe pelo aquecimento do solo ou pela chegada de ar mais frio em altitude, a energia acumulada pode ser libertada de forma muito rápida, favorecendo tempestades intensas com:

  • fortes correntes ascendentes,
  • chuvas torrenciais,
  • granizo,
  • rajadas de vento muito intensas,
  • abundante atividade elétrica.


Por isso, os meteorologistas analisam as inversões térmicas como um dos muitos fatores que ajudam a compreender a evolução de episódios meteorológicos severos.

Um fenómeno que também afeta a qualidade do ar

As inversões térmicas também são responsáveis por muitos episódios de poluição em grandes cidades.

Ao impedir a renovação do ar, os poluentes permanecem concentrados perto da superfície durante horas ou até dias, piorando a qualidade do ar e aumentando os riscos para a saúde.

A importância de compreender a meteorologia

É cada vez mais evidente que a prevenção contra os fenómenos naturais passa também por compreender como funciona a atmosfera.

Ondas de calor, tempestades severas, incêndios florestais ou episódios de poluição fazem parte de um sistema complexo em que pequenas mudanças podem ter grandes consequências.

Na Aiditec Systems, especializados em proteção contra raios, conhecemos a importância de estudar o comportamento da atmosfera para reduzir riscos e proteger pessoas e infraestruturas contra fenómenos naturais.


Para terminar, da Aiditec Systems queremos transmitir o nosso mais sincero reconhecimento aos bombeiros, brigadas florestais, meios aéreos, forças e corpos de segurança, serviços de emergência e voluntários que há dias trabalham incansavelmente para controlar todos os incêndios que assolam o nosso país nestas últimas semanas. O seu esforço, profissionalismo e compromisso merecem o reconhecimento de toda a sociedade.

Muita força também a todos os vizinhos e pessoas afetadas, que estão a viver dias de enorme incerteza e preocupação. Desejamos de coração que a situação fique completamente estabilizada o mais breve possível e que possam recuperar a normalidade o mais rápido possível.