]FOTOGRAFIA DE CAPA: SERGIO TAPIRO VELASCO.


Uma poderosa erupção ilumina as encostas do vulcão Colima, no México, em 13 de dezembro de 2015. Fotografia vencedora do concurso de fotografia de viagens de 2017 da National Geographic.[/caption] O aparecimento de raios em erupções vulcânicas é, segundo a explicação mais geral, um fenómeno meteorológico que se forma quando fragmentos de rochas, cinzas e partículas de gelo expelidos pelo vulcão colidem entre si e provocam reações elétricas. Este fenómeno é conhecido pelo nome de "tempestade suja".

Embora as cinzas que saem do vulcão sejam neutras, a diferença de temperaturas, a fricção e os choques entre partículas e gases fazem com que se carreguem eletricamente com cargas de sinal contrário.

Por terem diferentes densidades, estas partículas movem-se e separam-se progressivamente em carga positiva e carga negativa. Quando a diferença de potencial é suficientemente grande, ocorre a descarga.

Além disso, alguns especialistas como Keri Nicoll, diretora de uma equipa de investigadores das universidades de Bristol, Reading e Bath (Reino Unido), acreditam que há outro agente muito importante na formação destes raios: o rádon.

O rádon é um gás radioativo, incolor e inodoro que é libertado de forma natural nas erupções.

A origem deste gás é totalmente natural e está relacionada com a desintegração radioativa natural do urânio.

A equipa de Nicoll examinou a erupção do vulcão Stromboli, na Sicília. Lá, observaram que, embora as nuvens geradas quase não tivessem cinzas, estavam altamente carregadas. Após esta análise, os especialistas determinaram que a origem desta eletrificação poderia estar no rádon.

Segundo estes investigadores, a presença deste gás, além de ionizar o ar, é capaz de aumentar a carga e eletrificar as plumas vulcânicas. No entanto, Nicoll, diretora da investigação, reconhece que ainda precisam de fazer mais medições. Mesmo assim, afirma que não há outro mecanismo conhecido de geração de eletricidade que possa explicar as observações do grupo. Por isso, a investigação é promissora e é muito provável que esta seja a verdadeira explicação para as chamadas “tempestades sujas”.